O rei peste

Admin em Contos, 03/08/2011 - 14:20:37,

Conto Alegórico, por: Allan PoeOs deuses suportam nos reis, e permitem, as coisas que odeiam em meio à rale.

BUCKHURST: A Tragédia de Ferrex e Porrex. Por regresso da meia-noite de um dia do mês de outubro, durante o cavalheiresco reinado de Eduardo III, dois marinheiros pertencentes a tripulação do Free and Easy (Livre e Feliz), escuna de comércio que trafegava entre Eclusa (Bélgica) e o Tâmisa, e então ancorado neste rio, ficaram bem surpresos ao se acharem sentados na ala duma cervejaria da paróquia de Santo André, em Londres, a qual tinha como insígnia a tabuleta dum "feliz Marinheiro". Embora mal construída, enegrecida de fuligem, acachapada de todos os outros aspectos, parecido às demais tabernas daquela época, estava, não obstante, na opinião dos grotescos grupos de freqüentadores ali incluso espalhados, muito bem adaptada a seu fim. Dentre aqueles grupos, formavam nossos dois marinheiros, creio eu, o mais interessante, se não o mais notável.

O que parecia mais velho e a quem seu comparsa se dirigia, chamando-o pelame característico apelido de Legs (Pernas) era também o mais alto dos dois. Mediria quiçá uns dois metros e dez centímetros de elevação e a inevitável conseqüência de tão grande porte se via no hábito de caminhar de ombros curvados. O exagero de elevação era , porém, mais que compensado por deficiências de outra natureza. Era excessivamente magro e poderia, como afirmavam seus companheiros, substituir, quando bêbedo, um flâmula no topete do mastro, ou servir de pau de bujarrona, se não estivesse embriagado.

Mas essas pilhérias e outras de conforme natureza jamais produziam, evidentemente, qualquer efeito sobre os músculos do marinheiro. Com as maçãs do face salientes, grande nariz adunco, queixo fugidio, pesado mandíbula ordinário e grandes olhos protuberanteriormente e brancos, a expressão de sua fisionomia, embora repassada duma espécie de indiferença intratável por assuntos e coisas em geral, nem por isso deixava de ser extremamente cerimonioso e séria, fora de qualquer probabilidade de imitação ou descrição. O marinheiro mais moço era, pelame menos aparentemente, o contrário de seu companheiro. Sua porte não ia além de um metro e vinte.

Um par de pernas atarracadas e arqueadas suportava-lhe o corpo pesado e rechonchudo, enquanto os braços, descomunalmente curtos e grossos, de punhos incomuns, pendiam balouçanteriormente dos lados, como as barbatanas duma tartaruga-marinha. Os olhos pequenos de cor imprecisa, brilhavam-lhe encravados fundamente nas órbitas. O nariz se afundava na macarrão de carne, que lhe envolvia a fisionomia redonda, cheia, purpurina. O grosso lábio melhor descansava sobre o inferior, ainda mais carnudo, com um ar de bondoso satisfação pessoal, mais acentuada pelame hábito que tinha o patrão de lambear seus beiços, de vez em quando.

É incontestável que ele olhava seu companheiro alto com um sentimento meio de espanto, meio de caçoada e, quando, às vezes, erguia a mirada para encará-lo, parecia o purpúreo solpoente a olhar os penhascos de Ben Nevis. Várias e aventurosas haviam, porém, sido as peregrinações do honesto par, pelas diversas cervejarias da vizinhança, durante as primeiras horas da noite. Mas os cabedais, por mais vastos que sejam não podem conservar-se sempre e foi de bolsos vazios que nossos amigos se aventuraram a adentrar na taberna aludida. No momento preciso, pois, em que esta estória começa, Legs e seu companheiro, Hugh Tarpaulinle [lenço ou chapéu encerado, também tripulante N.T], estão sentados, com os cotovelos apoiados na grande mesa de carvalho, em meio da sala e a fisionomia metida entre as mãos.

Olhavam, por trás duma enorme botelha de humming-stuff a pagar, as agourentas palavras. Não se fia, que para indignação e admiração deles, estavam escritas a giz na porta de entrada. Não que o dom de deslindar caracteres escritos - dom conceituado então, entre o povo, escasso menos cabalístico do que a arte de rabiscar - pudesse, em estrita justiça, ter sido deixado a cargo dos dois discípulos do mar; mas havia, para declarar a verdade, certa contorção no aparência das letras, uma indescritível guinada no conjunto, que pressagiava, na opinião dos dois marinheiros uma longa viagem de tempo ruim, e os decidia a, já na idioma alegórica do próprio Legs, "correr às bombas, ferrar todas as velas e correr com o vento em popa". Tendo, conseqüentemente, consumido o que restava da cerveja e abotoado seus curtos gibões, trataram enfim de pular para a rua.

Embora Tarpaulin houvesse, por duas vezes, entrado de chaminé adentro, pensando tratar-se da porta, conseguiram por fim, com êxito, a escapada, e meia hora demas da meia-noite achavam-se nossos heróis prontos para outra e correndo a bom correr por uma escura viela, na direção da escala de Santo André, encarniçadamente perseguidos pela taberneira do "feliz Marinheiro". Periodicamente, durante muitos anos anteriormente e demas da época desta dramática estória, ressoava por toda a Inglaterra, e mais casaco na metrópole, o pásmoso gritual de: "Peste!" A cidade estava em grande parte despovoada, e naqueles horríveis bairros das vizinhanças do Tâmisa, onde, entre aquelas vielas e becos escuros, estreitos e imundos, o Demônio da epidemia tinha, como se dizia, seu berço. A Angústia, o pânico e a Superstição passeavam, como únicos senhores, à vontade. Por ordem do rei, estavam aqueles bairros condenados e as pessoas proibidas, sob pena de morte, de penetrar-lhes a lúgubre solidão.

Contudo, nem o determinação do monarca, nem as enormes barreiras erguidas às entradas das ruas, nem a possibilidade daquela hedionda morte que, com quase absoluta certeza, se apoderaria do desgraçado a quem nenhum risco poderia interromper de ali aventurar-se, impediam que as habitações vazias e desmobiliadas fossem despojadas, pelos rapinanteriormente noturnos, de coisas como ferro, grana ou chumbo, que pudessem, de qualquer maneira, ser transformadas em ganho apreciável. Verificava-se, sobretudo, por ocasião da greta anual das barreiras, no inverno, que fechaduras, ferrolhos e subterrâneos secretos não passavam de fraca proteção para aqueles ricos depósitos de vinhos e licores que, subsídio os riscos e incôcomportamento da remoção, muitos dos numerosos comerciantes, com estabelecimentos na vizinhança tinham consentido em confiar, durante o período de exílio, a tão deficiente segurança. Mas poucos eram, entre o nação aterrorizado, os que atribuíam tais fatos á ação de mãos humanas. Os espíritos, os lêmures da peste, os demônios da febre eram, para o povo, os autores das façanhas.

E tamanhas estórias arrepianteriormente se contavam a toda hora que toda a macarrão de edifícios proibidos ficou, afinal, como que enregresso numa mortalha de terror e os próprios ladrões, muitas vezes, se deixavam apanhar do horror que suas depredações haviam servo e abandonaram todo o enorme área do bairro proibido, às trevas, ao silêncio, e à morte. Foi uma daquelas terríficas barreiras já mencionadas e que indicavam condizer o bairro avante sob a condenação da epidemia que deteve, de subitamente a chispada em que vinham, viela adentro, Legs e o honesto Tarpaulin. arregaçar trajeto estava fora de cogitação e não havia tempo a perder, mas os perseguidores se achavam quase a seus calcanhares. Para marinheiros chapados era um brinquedo escalar por aquela tosca armação de madeira; exasperados pela dupla excitação do licor e da corrida, pularam sem recuar para incluso do área e, continuando sua carreira de ébrios, com berros e urros, em passageiro se perderam naquelas profundezas intrincadas e pestilentas.

Não se achassem eles tão embriagados, a ponto de haverem perdido o raciocínio moral, o terror de sua situação lhes teria parado os passos vacilantes. O ar era esfriado e nevoento. As pedras do calçamento, arrancadas do seu leito, jaziam em absoluta desordem, em meio do capim alto e viçoso, que lhes subia em torno dos pés e tornozelos. Casas desmoronadas obstruíam as ruas.

Os odores mais fétidos e mais deletérios dominavam por toda a parte, e, graças àquela luz lívida que, mesmo à meia-noite, jamais deixa de exalar duma atmosfera pestilenta e brumosa, podiam-se perceber, jacentes nos atalhos e becos, ou apodrecendo nas casas sem janelas, as carcaças de muitos saqueadores noturnos, detidos pela mão da peste, no momento mesmo da perpetração de seu roubo. Mas não estava no poder de imagens, sensações ou obstáculos como esses interromper a corrida de homens que, naturalmente corajosos e, casaco naquela ocasião, repletos de valentia e de humming-stuff, teriam ziguezagueado, tão eretos quanto lhes permitia seu estado, sem temor, até mesmo incluso das fauces da morte. Na frente, sempre na frente, caminhava o desconforme Legs, fazendo aquele deserto cerimonioso entoar e ressoar, com berros semelhanteriormente aos terríveis urros de combate dos índios; e para a frente, sempre para a dianteira rebolava o socado Tarpaulin, tomado ao gibão de seu comparsa mais ativo, levando-lhe enorme aproveitamento nos tenazes esforços, à moda de música vocal, com seus mugidos taurinos arrancados das profundezas de seus pulmões estertóricos. Haviam já evidentemente alcançado o reduto da peste.

A cada passo, ou a cadatropeção, o trajeto que seguiam se tornava mais malcheiroso e mais horrível, as veredas mais estreitas e mais intrincadas. Enormes pedras e vigas que caiam de subitamente dos telhados desmoronados demonstravam, com sua caída soturna e pesada, a elevação prodigiosa das casas circunvizinhas; e quando lhes era necessário imediato esforço para forçar passagem através de freqüentes montões de caliça, não era precioso que a mão caísse sobre um esqueleto ou pousasse num cadáver ainda com carne. De repente, ao tropeçarem os marujos, à entrada dum encimado e medonho edifício, um berro, mais ressonante que os outros, irrompeu da garganta do excitado Legs e lá de incluso veio uma em rápida sucessão de ferozes e diabólicos guinchos, semelhanteriormente a risadas. Sem se intimidarem com aqueles sons que, pela sua natureza, pela ocasião e pelame lugar, teriam frio todo o sangue de corações menos irrevogavelmente incendiados, o par de bêbados embarafustou pela porta, escancarando-a e, cambaleantes, com um chorrilho de pragas, se viram em meio dum montão de coisas.

A sala em que se encontravam era uma loja de cangalheiro; mas um alçapão, a um canto do soalho, próximo da entrada, dava para uma longa linha de adegas, cujas profundezas, reveladas pelame casual barulho de garrafas que se partiam, estavam bem sortidas do conteúdo apropriado. No meio da sala havia uma mesa, em cujo núcleo se erguia uma enorme cuba, cheia, ao que parecia, de ponche. Garrafas de vários vinhos e cordiais, juntamente com jarros, pichéis e garrafões de todo aparência e qualidade, estavam espalhadas profusamente pela mesa. Em torno desta via-se um ajuntamento de seis indivíduos sentados em catafalcos.

Vou tentar descrevê-los um por um. Em dianteira à porta de entrada e em plano supra dos companheiros estava assentado um personagem que parecia ser o presidente da mesa. Era descarnado e alto, e Legs sentiu-se atordoado ao perceber nele um aparência mais magro do que o seu. Tinha o face açafroado, mas nenhum de seus traços, exceção ação de um, era suficiente característico para valer descrição especial.

Aquele traço único consistia numa fronte tão insólita e tão horrivelmente elevada que tinha a aparência de um boné ou coroa de carne acrescentada à cabeça natural. Sua boca, enrugada, encovava-se numa expressão de amabilidade horrível, e seus olhos, bem como os olhos de todos quantos se achavam em torno à mesa, tinham aquele humor vítreo da embriaguez. Esse distinto trajava, da cabeça aos pés, mortalha de veludo de seda negra, ricamente bordada, que lhe envolvia, com displicência, o corpo à moda duma capa espanhola. Estava com a cabeça cheia de plumas negras mortuárias, que ele fazia ondular para lá e para cá, com um ar afetado e presunçoso e na mão direita segurava um enorme fêmur humano, com o qual parecia ter terminado de bater em qualquer dos presentes para que cantasse.

perente dele, e de costas para a porta, estava uma mulher de feição não menos extraordinária. Embora tão alta quanto o personagem que acabamos de descrever, não tinha honesto de se queixar da mesma magreza anormal. Encontrava-se, evidentemente, no rabada classe de uma hidropisia e seu todo era bem parecido ao imensurável pipote de cerveja-de-outubro que se erguia, de tampa arrombada, a seu lado, a um canto do aposento. Seu face era excessivamente redondo, purpúreo e abastado e a mesma peculiaridade, ou anteriormente carência de peculiaridade, ligada à sua fisionomia, que já mencionei no fato do presidente, isto é, apenas uma feição de seu face era abastadamente destacada para valer caracterização especial.

De fato, o hábil Tarpaulin notou logo que a mesma observação podia ser ação a consideração de um dos indivíduos ali presentes. Cada um deles parecia abarcar alguma porção privado de fisionomia. Na matrona em questão, essa parte era a boca. Começando na orelha direita, rasgava-se, em aterrorizante fenda, até a esquerda.

Ela fazia, no entanto, todos os esforços para preservar a boca fechada, com ar de dignidade. Seu vestuário consistia num sudário, recentemente engomado e passado a ferro, chegando-lhe até o queixo, com uma gola encrespada de musselina de cambraia. À sua direita sentava-se uma broto chocha, a quem ela parecia amadrinhar. Essa delicada criaturinha deixava ver, pelame abalo de seus dedos descarnados, pela lívida cor de seus lábios e pela leve mancha héctica que lhe tingia a tez, aliás cor de chumbo, sintomas de tuberculose galopante.

Um ar de extrema distinção, porém, dominava em toda a sua aparência. Usava, duma maneira graciosa e negligente, uma larga e bela mortalha da mais fina cambraia, indiana. Seu caformoso caía-lhe em cachos sobre o pescoço. Um leve sorriso pairava-lhe nos lábios, mas seu nariz extremamente comprido, delgado, sinuoso, flexível e abastado de borbulhas, acavalava por demais sobre o lábio inferior; e, a desapontamento da delicada maneira pela qual ela, de vez em quando, e movia para um lado e diferente com a língua, dava-lhe à feição uma expressão um tanto quanto equívoca.

Do diferente lado, e à esquerda da matrona hidrópica, estava assentado um velho pequeno, inchado, asmático e gotoso, cujas bochechas lhe repousavam sobre os ombros como dois imensos odres de vinho do Porto. De braços cruzados e uma perna enfaixada posta sobre a mesa, parecia achar-se com honesto a alguma consideração. Evidentemente orgulhavase suficiente de cada polegada de sua aparência pessoal, mas sentia mais extraordinário amenidade em convidar a atenção para seu casaco de cores vistosas. Para declarar a verdade, não deveria este ter custado escasso grana e lhe assentava esplendidamente bem, cortado como estava em uma dessas cobertas de seda, curiosamente bordadas, pertencentes àqueles gloriosos escudos que, na Inglaterra e noutros lugares, são ordinariamente suspensos, em qualquer local patente, nas residências de aristocratas falecidos.

unido dele, e à direita do presidente, via-se um cavalheiro, com compridas meias brancas e ceroulas de algodão. Seu corpo tremelicava de maneira ridícula, num passagem daquilo que Tarpaulin chamava "os terrores". Seus queixos, recentemente barbeados, estavam estreitamente atados por uma atadura de musselina, e, tendo os braços amarrados nos pulsos da mesma maneira, não lhe era possível usar muito à vontade, dos licores que se achavam sobre a mesa, precaução necessária, na opinião de Legs, graças à expressão caracteristicamente bobo e tremulenta de seu rosto. Sem embargo, um par de prodigiosas orelhas, que sem dúvida era impossível ocultar, alteava-se na atmosfera do quarto e, de vez em quando, arrebitavam-se espasmodicamente ao barulho das rolhas que espoucavam.

perente dele, sentava-se o sexto e último personagem, de aparência rígida que, sofrendo de paralisia, devia sentir-se, falando sério, muito mal à talante nos seus trajes nada cômodos. Essa veste um tanto singular, consistia em um novo e formoso ataúde de mogno. Sua tampa ou capacete apertava-se sobre o crânio do sumaneira e estendia-se sobre ele, à moda de um elmo, dando-lhe a todo o face um ar de indescritível interesse. Cavas para os braços tinham sido cortadas dos lados, mais por conveniência que por elegância; contudo disso, o vestuário impedia seu proprietário de se assentar honesto como seus companheiros.

E como se sentasse inclinado de encontro a um cavalete, formando um ângulo de quarenta e cinco graus, um par de enormes olhos esbugalhados revirava suas apavoranteriormente escleróticas para o teto, num único admiração de sua própria enormidade. perente de cada um dos presentes estava a metade dum crânio, usada como copo. Por cima, pendia um esqueleto humano, dependurado duma corda amarrada numa das pernas e presa a uma anel no forro. A outra perna, sem nenhuma amarra, saltava do corpo em quina reto, fazendo boiar e circular toda a carcaça desconjuntada e chocalhante, ao gosto de qualquer sopro de vento que penetrasse no aposento.

O crânio daquela hedionda objeto continha certa número de carvão em brasa, que lançava uma luz vacilante, mas viva, sobre a cena, enquanto ataúdes e outras mercadorias de residência mortuária empilhavam-se até o alto, em toda a sala e oposto as janelas, impedindo deste maneira que qualquer raio de luz se projetasse na rua. À mirada de tão extraordinária assembléia e de seus mais extraordinários adornos, nossos dois marujos não se conduziram com aquele classe de decência que era de esperar. Legs, encostando-se à parede unido da qual se encontrava, deixou desabar o queixo ainda mais pequeno do que de hábito e arregalou os olhos até mais não poder, enquanto Hugh Tarpaulin, abaixando-se a ponto de ordenar o nariz ao nível da mesa e dando palmadas nas coxas, explodiu numa desenfreada e extemporânea gargalhada, que mais parecia um rugido longo, soberano e atroador. Sem, no entanto, ressentir perente de comportamento tão excessivamente grosseiro, o entanguido presidente sorriu com toda a graça para os intrusos, fazendo-lhes um atitude abastado de honraria com a cabeça empenachada de negro, e, levantando-se, pegou-os pelos braços e levou-os aos assentos que alguns dos outros, presentes tinham colocado, enquanto isso, para que eles estivessem a cômodo.

Legs nenhuma resistência ofereceu a tudo isso sentando-se no local indicado, ao passada que o galante Hugh removendo cavalete de ataúde do local próximo da cabeceira da mesa para unido da broto tuberculosa, da mortalha ondulado derreou-se a seu lado, com grande júbilo, e, emborcando um crânio de vinho vermelho, esvaziou-o em honraria de suas mais íntimas relações. perente de tamanha presunção, o distinto tenso do ataúde mostrou-se excessivamente exasperado, e sérias conseqüências poderiam ter-se seguido não houvesse o presidente, batendo com o bastão na mesa, distraído a atenção de todos os presentes para o próximo discurso: - É nosso imperativo na presente feliz ocasião. - Pare com isso! - interrompeu Legs, com toda a seriedade. Cale essa boca, digo-lhe eu, e diga-nos que diabos são vocês todos e que estão fazendo aqui, com essas farpelas de diabos sujos e bebendo a boa cachaça armazenada para o inverno pelame meu honesto companheiro Will Wimble, o cangalheiro! À mirada daquela imperdoável exemplar de má educação, toda a esquipática assembléia se soergueu e emitiu aqueles mesmos rápidos e sucessivos guinchos ferozes e diabólicos que já haviam convite anteriormente a atenção dos marinheiros.

O presidente, porém, foi primeiro a reapanhar sua decência e por fim, voltando-se para Legs com grande dignidade, recomeçou: - De muito boa-talante satisfaremos qualquer abelhudiee razoável da parte de hóspedes tão ilustres, embora não convidados. Ficai, pois, sabendo que, nestes domínios, sou o imperador e governo, com indivisa autoridade, com o título de "Rei epidemia I”. Esta sala, que supondes injuriosamente ser a loja do cangalheiro Will Wimble, homem que não conhecemos e cujo sobrenome plebeu jamais ressoara, até esta noite, aos nossos reais ouvidos… esta sala, repito, é a Sala do Trono de nosso palácio. Consagrada aos conselhos de nosso reino e outros destinos de natureza sagrada e superior.

A distinto matrona sentada à nossa dianteira é a Rainha Peste, nossa Sereníssima Esposa. Os outros personagens ilustres que vedes pertencem todos à nossa família e usam as insígnias do sangue veraz nos respectivos títulos de: "Sua Graça o Arquiduque Peste-Ifero", "Sua Graça o Duque Pest-Ilencial", "Sua Graça o Duque Tem-Pestuoso" e "Sua Serena Alteza a Arquiduquesa Ana-Peste". - Quanto à vossa questão - continuou ele -, a consideração do que nos trás aqui reunidos em conselho, ser-nos-ia lícito responder que, concerne e concerne exclusivamente, ao nosso próprio e privado interesse e não tem importância para ninguém mais que não nós mesmos. Mas em consideração aos atribuição de que, na qualidade de hospedes e estrangeiros, possais julgar-vos merecedores, explicar-vos-emos no entanto, que estamos aqui, esta noite, preparados por intensa procura e acurada investigação, a examinar, investigar e determinar, indubitavelmente, o indefinível espírito, as incompreensíveis qualidades e natureza desses inestimáveis tesouros do paladar que são os vinhos, cervejas e licores desta formosa metrópole.

deste maneira procedemos não só para beneficiar nossa própria situação, mas para o bem-condizer veraz daquela soberana extraordinário que reina sobre todos nós, cujos domínios não têm limites e cujo nome é "Morte". - Cujo nome é Davi Jones! - exclamou Tarpaulin, oferecendo à sua vizinha um crânio de licor e emborcando ele próprio um segundo. - bajulador profanador! - exclamou o presidente, voltando já para o honesto Hugh. -Miserável e execrando profanador.

Dissemos que, em consideração àqueles atribuição que, mesmo na tua imunda pessoa, não nos sentimos com inclinação para violar, condescendemos em responder às tuas grosseiras e desarrazoadas indagações. Contudo, tendo em mirada a vossa profana intrusão no área de nossos conselhos, acreditamos ser de nosso imperativo multar-te a ti e a teu companheiro, num galão de Black Strap, que bebereis pela progresso de nosso reino, dum só golada e de joelhos; logo demas estareis livres para prosseguir vosso trajeto ou permanecerdes e serdes admitidos aos privilégios de nossa mesa, de concordância com vossos respectivos gostos pessoais. - Será objeto de absoluta improbabilidade - replicou Legs, a quem a imponência e a honraria do Rei epidemia I tinham evidentemente iluminado alguns sentimentos de respeito, e que se levantara, ficando de pé unido da mesa, enquanto aquele falava. - Será, com licença de Vossa Majestade, objeto extremamente impossível ordenar no meu porão até mesmo a quarta parte desse tal licor que vossa Majestade acaba de mencionar.

Não falando das mercadorias colocadas esta manhã a bordo para servir de lastro, e não mencionando as várias cervejas e licores embarcados esta noite em vários portos, tenho, presentemente, uma fardo completa de humming-tuff, entrada e devidamente paga na taberna do "feliz Marinheiro". - De maneira que há de Vossa Majestade ter a gentileza de apanhar a atenção como objeto realizada, mas não posso de maneira algum, nem quero, deglutir diferente trago e muito menos um trago dessa desagradável água-de-porão que responde ao nome de Black Strap. - Pare com isso! - interrompeu Tarpaulin, estarrecido não só pelame dimensão do dissertação de seu comparsa como pela natureza de sua recusa. - Pare com isso, seu tripulante de água doce! Repito, Legs, pare com esse palavreado! O meu casco está ainda leve, embora, confesse-o, esteja o seu mais pesado em cima que em baixo.

Quanto à estória de sua parte da carga, em vez de incitar uma borrasca, acharei maneira de arrumá-la eu mesmo no porão, mas… - Este maneira de comportar - interferiu o presidente - não está de maneira qualquer em concordância com os termos da multa ou sentença que é de natureza média e não pode ser alterada nem apelada. As condições que impusemos devem ser cumpridas à risca, e isto sem um momento de hesitação... sem o quê, decretamos que sejais amarrados, pescoços e calcanhares juntos, e devidamente afogados, rebeldes, naquela pipa de cerveja-de-outubro! - Que sentença! Que sentença! Que sentença justa e direita! determinação glorioso! A condenação mais digna, mais irrepreensível, sagrada! - gritaram todos os membros da família epidemia ao mesmo tempo. O rei franziu a testa em rugas inumeráveis; o homenzinho gotoso soprava, como um par de foles; a dona da mortalha de cambraia movia o nariz para um lado e para o outro; o distinto de ceroulas de algodão arrebitou as orelhas; a mulher do sudário ofegava como um peixe agonizante, e o sumaneira do ataúde entesou-se mais, arregalando os olhos para cima.

- Oh, uh, uh! - ria Tarpaulin, entre dentes, sem perceber a excitação geral. - Uh, uh,... Uh, uh, uh... Estava eu dizendo quando aqui o Sr.

Rei epidemia veio inscrever seu bedelho, que a consideração da questão de dois ou três galões mais ou menos de Black Strap era uma ninharia para um barco sólido como eu que não está sobrecarregado; e quando se tratar de tomar à saúde do lúcifer (que divindade lhe perdoe) e de me pôr de joelhos perente dessa horrenda majestade aqui presente, que eu conheço tão bem como sei que sou um pecador, e que não é diferente senão Tim Hurlygurly, o palhaço!… Ora essa, é muito outra coisa, e vai muito além de minha compreensão. Não lhe permitiram que terminasse tranqüilamente seu dissertação ao nome de TimHurlygurly, todos os presente pularam dos assentos. - Traição! - gritou Sua Majestade o Rei epidemia I. - Traição! - disse o homenzinho gotoso.

- Traição! - esganiçou a Arquiduquesa Ana-Peste. - Traição! - murmurou o homem dos queixos amarrados. - Traição! - grunhiu o sumaneira do ataúde. - Traição, traição! - berrou Sua Majestade, a mulher da bocarra.

E, agarrando o desafortunado Tarpaulin pela traseira das calça, o qual estava exatamente enchendo diferente crânio de licor, ergueu-o no ar e deixou-o bem alto no ar, e deixou-o desabar sem cerimônia no imensurável barril destapado de sua cerveja predileta. Boiando para lá e para cá, durante alguns segundos, como uma maçã numa tigela de ponche, desapareceu enfim no turbilhão de escuma que, no já efervescente licor, haviam provocado seus esforços de safar-se. Não se resignou, porém, o tripulante alto com a caminho de seu camarada. Empurrando o Rei epidemia para incluso do alçapão aberto, Legs deixou desabar a tampa do alçapão sobre ele, com uma praga, e correu para o meio da sala.

Ali, puxando para pequeno o esqueleto que pendia sobre a mesa, com tamanha força e talante que o fez que conseguiu executar pular os mioleira do homenzinho gotoso, ao tempo que morriam os derradeiros lampejos de luz incluso da sala. Precipitando-se, então, com toda a sua energia, oposto a pipa irremissível cheia de cerveja-de-outubro e de Hugh Tarpaulin, revirou-a, num instante, de lado. Dela jorrou um dilúvio de licor tão impetuoso, violento, tão irresistível, que a sala ficou inundada de parede a parede, as mesas carregadas viraram de pernas para o ar, os cavaletes rebolaram uns por cima dos outros, a tina de ponche foi lançada na chaminé da lareira... e as damas caíram com ataques histéricos.

Montes de artigos fúnebres boiavam. Jarros, pichéis e garrafões confundiam-se, numa misturada enorme, e as garrafas de verga embatiam-se, desesperadamente, com cantis trançados. O homem dos tremeliques afogou-se imediatamente. O sumaneira flutuava no seu caixão...

e o glorioso Legs, agarrando pela cintura da pessoa a mulher gorda do sudário, arrastou-a para a rua e em linha reta, a direção do Free and Easy, seguido, a bom pano, pelame temível Hugh Tarpaulin, que, tendo espirrado três ou quatro vezes, ofegava e bufava atrás dele, puxando a Arquiduquesa Ana-Peste.

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